O Que Vejo da Janela do Meu Quarto
À minha porta corre uma rua que, para a direita, se vai transformar numa rotunda, circulando exactamente do lado oposto à corte de ténis do meu vizinho.
O cheiro intenso do canteiro de ervas aromáticas surge alterado pelo cheiro de terra molhada e de relva cortada da minha vizinha e sobe até à janela do meu quarto.
Na moradia ao lado da que está à minha frente, descubro a empregada a sacudir os tapetes na varanda, cuja porta está sempre entreaberta, não percebo porquê.
As chaminés dessas duas casas confrontam-se de telhado para telhado. Os telhados do meu bairro são muito coloridos, há cores para todos os gostos: pretos, vermelhos, salmão, verdes, brancos. O vento serpenteia por entre eles com a ajuda da chuva que tamborila nas telhas. Se me volto para Oeste, surgem prédios cujos telhados estão atarracados de antenas.
A tranquilidade transborda nesta manhã de Domingo, cinzenta, chuvosa e desagradável. Até os pássaros que costumam chilrear no pinhal das traseiras, hoje, mantêm-se calados.
Um pouco mais ao fundo, contemplo um largo cujas árvores em volta costumam ter o simples e suave aroma de pinheiro e que ainda está deserto. Quem me dera que hoje estivesse um bonito dia para poder passear no meu bairro!*
Imagem oferecida por Jason’s Animations



